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Cuidado com o verbo Prescindir em Concursos Públicos

Passar em concursos públicos no Brasil virou uma espécie de obsessão! São mais de 12 milhões de pessoas estudando em busca do tão sonhado cargo público. A estabilidade ainda é algo que todos almejam.
Diante da acirrada disputa, não basta apenas estudar. É preciso que os candidatos fiquem atentos às chamadas cascas de banana implantadas nas provas pelas bancas examinadoras.
Um exemplo muito claro disso, é o uso do verbo prescindir. Muita gente o confunde com o verbo precisar. Porém, os referidos verbos possuem significados opostos. Sabendo desse fato, as bancas tentam confundir os candidatos na hora da resolução das questões.
Parece meio louco, mas em provas de Direito Administrativo, por exemplo, o examinador acaba cobrando conhecimentos de Língua Portuguesa.

Questões com o verbo Prescindir

Para comprovar o que acabamos de mencionar, vejamos algumas questões de concursos públicos que tentaram confundir a cabecinha dos concurseiros através do verbo prescindir.
A regra de ouro para que você não caia na armadilha é a seguinte: jamais pense que "prescinde" significa "precisa". Pelo contrário, sempre que deparar com a palavra "prescinde", substitua-a por "dispensa" ou "não precisa".

01. Banca AOCP

(AOCP-2017-UFBA-Técnico em Segurança do Trabalho) A investidura em cargo em comissão pode ser declarada em lei como de livre nomeação, mas tal nomeação não prescinde de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo.
De acordo com a Constituição Federal, o acesso aos cargos públicos ocorre, em regra, por meio de concurso público.
A exceção à regra, dentre outras, fica por conta dos chamados cargos comissionados, os quais são de livre nomeação e exoneração.
Veja que a questão afirma que a investidura em cargo em comissão não prescinde, ou seja não dispensa, aprovação prévia em concurso público.
Como acabamos de explicar, o acesso aos cargos em comissão é exceção, dispensando a aprovação prévia em concurso público.
Em outras palavras, a investidura em cargo em comissão declarada em lei como de livre nomeação prescinde (dispensa) de aprovação prévia em concurso público.
Por isso, gabarito: errado.

02. Banca MPESC

(MPE-SC-2016-Promotor de Justiça) São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para o cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. Os empregados públicos não fazem jus à referida estabilidade, salvo aqueles admitidos em período anterior ao advento da emenda Constitucional nº 19/1998, razão pela qual prescinde de motivação a dispensa dos empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos e que ingressaram após a referida emenda.
A questão afirma que a dispensa dos empregados de empresas públicas e sociedades de economia mista que prestam serviços públicos e que ingressaram após a referida emenda dispensa ou não precisa de motivação.
Em verdade, os empregados públicos não gozam de estabilidade (apenas os servidores estatuários). Porém, o STF entende que a dispensa de empregados de empresas públicas e sociedade de economia mista prestadoras de serviços públicos deve ser motivada. Veja um trecho do Recurso Extraordinário nº 589998/STF:
Com   efeito,   entendo   que   o   dever   de   motivar   o ato de despedida de empregados estatais, admitidos por concurso, aplica-se não apenas à ECT, mas a todas as empresas   públicas   e   sociedades   de   economia   mista   que   prestam serviços públicos, porquanto, conforme diversos julgados desta Corte, v.g. ADI 1.642/MG, Rel. Min. Eros Grau, não estão alcançadas pelas disposições do art. 173, § 1º, da Constituição Federal.
Gabarito: errado.
Cuidado com o verbo Prescindir em Concursos Públicos

03. Banca CESPE

(CESPE-2016-DPU-Técnico em Comunicação Social) Acerca de responsabilidade social, consumo sustentável e relações com consumidores, julgue o item subsequente.
Uma organização do setor alimentício que incentiva práticas sustentáveis de plantio e colheita, além da conscientização do consumo sem desperdício por parte dos consumidores, prescinde de ações de longo prazo.
A implementação de práticas sustentáveis de plantio e colheita,  com certeza, não dispensa (não prescinde) ações de longo prazo.
Gabarito: errado.
Portanto, tenha bastante Cuidado com o verbo prescindir em concursos públicos. Várias bancas, especialmente o CESPE, gostam de pregar as famosas pegadinhas do malandro!

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