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Concursos Militares: 5 motivos para você fugir deles!


Quem é, ou já foi militar, certamente já ouviu alguém afirmar que para ser militar é preciso ter vocação. E mais: "que ser um militar é abraçar um sacerdócio". 

Infelizmente, quem faz/fez esta afirmação tem toda razão. Os pontos negativos desta carreira fazem com que somente aqueles que realmente a "amam" consigam suportá-la.

É importante deixar bem claro que reconheço o trabalho destes profissionais que arriscam a própria vida para defender a sociedade. Eles são imprescindíveis a manutenção da democracia. O artigo busca também mostrar que os militares merecem mais respeito da sociedade e do Estado. Portanto, não se objetiva aqui desmerecer a carreira, mas apenas mostrar suas dificuldades. Há também algumas vantagens, que podem ser abordadas em outro artigo. Se você quer saber mais sobre as nuances do cotidiano dos profissionais da segurança pública, acesse o excelente Blog do meu colega Anderson Duarte, um conceituado Oficial da Polícia Militar do Ceará, o qual já galga o título de Doutor: Policial Pensador.

Outrossim, saliento que, em comparação à iniciativa privada, é muito mais vantajoso ser militar. Se você não tiver outra opção, vale a pena ingressar na carreira.

Por outro lado, se você tem opções, está começando sua vida profissional agora (principalmente a vida de concurseiro) e sonha em ser um policial, como eu um dia sonhei, este artigo muito te interessa. Vou listar 5 motivos para você fugir desta ideia.

#1 Prisão Administrativa

Inicialmente vamos analisar o contexto jurídico no qual estão inseridos os militares. Vejamos o que a Constituição Federal nos informa:

Art. 5º LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;
A priori, o nosso ordenamento jurídico prevê a liberdade como regra. As exceções restringem-se aos casos de prisão em flagrante ou por ordem judicial fundamentada.

Ocorre que para os militares, além das hipóteses acima elencadas, é cabível também a prisão nos casos de transgressão disciplinar. Alguns regulamentos denominam essa prisão de permanência militar. Isso não passa de um eufemismo, haja vista que o militar permanece com sua liberdade cerceada no prazo sancionado pelo seu superior.

Para os militares do exército, os quais estão, em tese, em constante treinamento para defender a soberania nacional, inclusive em caso de guerra, a medida pode até ser considerada razoável. No entanto, para os militares estaduais (Policiais e Bombeiros militares) a prisão administrativa torna-se uma aberração. 

Os Policiais/Bombeiros exercem função eminentemente civil, ou seja, visam resguardar a ordem pública. Eles trabalham para manter a paz interna, e não para enfrentar uma guerra. O maior cliente deles é o cidadão, não o marginal. Então, com a submissão do policial à prisão administrativa, cria-se um clima de vingança na prestação do serviço de segurança pública no país. O policial recebe um tratamento desarrazoado, o qual tende a afetar essencialmente seu trabalho.

Outro fator maléfico desta medida é o abalo psicológico que o policial sofre ao ser submetido a ela. Podemos exemplificar isso, através de uma caso ocorrido no Ceará, onde um policial foi preso administrativamente, pelo fato de não estar utilizado a boina (peça do uniforme que o policial usa na cabeça). Quando estava no quartel, cumprindo "sua pena", o policial se suicidou. Para saber mais sobre este caso clique Aqui.

#2 Greve

Mais uma vez, vamos observar a Constituição Federal:
Art. 142, 3º, IV - ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.
A história nos mostra que não há direitos conquistados sem lutas. E com os direitos trabalhistas não foi diferente. A humanidade já se utilizou da escravidão e da servidão. Após esta fase, o trabalhador passou a ser "livre" para trabalhar cerca de 18 horas por dia. Contudo evoluímos ao atual padrão, que ainda não é o ideal, mas já melhorou muito. As transições se deram às custas de suor e sangue. Muitas vidas foram até perdidas durante as lutas por melhorias.

Mas infelizmente o direito de "forçar" os gestores públicos a melhorarem as condições financeiras e de trabalho dos militares é cerceado.

O direito de greve é o ultimato! Quando uma categoria não consegue melhorias através do diálogo, a greve é um poder de reequilibrar a balança entre as partes. 

No entanto, os militares não têm esse poder. E isso reflete no atual quadro em que se encontram, a maioria das corporações remunera mal os policiais, os quais (salvo exceções) têm que fazer "bicos" (segurança particular) para garantirem sua dignidade.

Mesmo com a proibição, muitos policiais/bombeiros exercitam o direito de greve e o resultado são as prisões e posteriores demissões dos profissionais.

Vejamos alguns exemplos...

Rio de Janeiro.



No Rio de Janeiro, centenas de Policiais e Bombeiros Militares foram presos por entrarem em greve. Se quiser saber mais sobre este fato, acesse: Mais de 50 polícias e 123 bombeiros presos no Rio de Janeiro por aderirem à greve.

Bahia




Também no estado da Bahia, assim como em vários outros, houve greve de militares e muitas prisões. Se quiser acompanhar com mais detalhes, veja PM confirma 16 militares presos durante greve na Bahia; dois ex-militares também estão detido.

Portanto, conclui-se que essa restrição prejudica demais a vida do policial/bombeiro.

#3 Stress


Ser um militar é exercer uma das profissões mais estressantes do mundo, conforme noticiado pelo Portal G1.COM, e a profissão de bombeiro foi considerada a mais desgastante.

E não poderia ser diferente, haja vista que o trabalho envolve diretamente o risco da própria vida. 

Só para se ter uma ideia, no Estado de Ceará, há 1724 policiais em licença psiquiátrica, mas esse número já passou de 5 mil no ano de 2010, conforme noticiado pelo Jornal O Povo.

Em São Paulo, o número assusta mais ainda: são 14.756 policiais afastados do trabalho. Os transtornos psiquiátricos afastam 4 policiais por dia. Veja mais em: Transtornos psiquiátricos afastam quatro PMs por dia em São Paulo.

O que agrava ainda mais a situação é o fato de que esse stress está ocasionando o aumento do número de suicídios entre os militares. Um estudo da BBC Brasil apontou isso. Caso queira saber mais, leia: Pesquisas mostram avanço de suicídio entre policiais brasileiros.

Eu lamento muito esta triste realidade, pois, quando estive a serviço da Polícia Militar, fiz excelentes amizades e, dentre os colegas, alguns tiraram a própria vida, como o Soldado Fernandes Martins. Triste ;-(

#4 Desvalorização

Segundo uma pesquisa realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública através da Fundação Getúlio Vargas - FGV, 1/3 (um terço) dos policiais brasileiros pensam em abandonar a profissão. E os motivos são muito semelhantes àqueles que me fizeram optar pela mesma atitude.

São apontadas como principais causas da desvalorização profissional a falta de estrutura dos órgãos de segurança pública, falta de prestígio social, baixos salários, excesso de trabalho, dentre outras.

Para saber mais sobre esse assunto, acesse: UM TERÇO DOS POLICIAIS BRASILEIROS PENSA EM SAIR DE SUAS INSTITUIÇÕES.

Confira também o Vídeo que contém um depoimento de um Capitão da Polícia Militar de Minas Gerais, relatando a atual situação enfrentada por militares.




#5 Liberdade de Expressão

Por fim, outro grande motivo para você fugir dos concursos militares é que, ao ingressar no "mundo militar", seu direito de expressão fica seriamente prejudicado. Se eu ainda fosse militar, certamente não teria escrito este artigo ;-)

Somente para você ter uma ideia, existe um crime tipificado no Código Penal Militar intitulado de "Publicação ou crítica indevida". Vamos observá-lo:

Publicação ou crítica indevida
Art. 166. Publicar o militar ou assemelhado, sem licença, ato ou documento oficial, ou criticar públicamente ato de seu superior ou assunto atinente à disciplina militar, ou a qualquer resolução do Govêrno:
Pena - detenção, de dois meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave.

O interessante é que a expressão CRÍTICA INDEVIDA é muito vaga. Na prática, qualquer crítica proferida por militar pode prejudicá-lo nas esferas administrativa e criminal!!! 

Para exemplificar, veja o seguinte caso:


Imagem: Site Abordagem Policial.

Este Soldado do Corpo de Bombeiros fez a crítica acima na rede de relacionamentos Facebook. O resultado disto foi a sua demissão dos quadros da sua corporação, veja: 


Imagem: Site Abordagem Policial.

Veja a matéria completa em: Soldado BM é demitido por crítica no Facebook.

Estamos encerrando aqui esta abordagem, espero que você tenha gostado e, se houver alguma dúvida, ou se você quiser deixar críticas ou sugestões, escreva nos comentários ou envie-nos através de e-mail. Ajude a divulgar este Blog, compartilhando nossos artigos em suas redes sociais. Conhecimento só se multiplica quando é dividido!

Gostaríamos de salientar que existem muitos outros motivos para você não querer seguir a carreira militar, não é oportuno citá-los, pois o artigo ficaria imenso. 

Porém, se você realmente tem um sonho de ingressar nesta carreira, vá em frente. Pelo menos, agora, você já tem uma noção do que irá enfrentar, haja vista que muitos se tornam militares e, após isto, arrependem-se por desconhecer o seu cotidiano profissional previamente.

Grande abraço!!!


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